E até o céu se cobriu de preto pra receber em Nova Lima parte da inumerável torcida Atleticana.
O céu negro e o estádio vermelho do rival do dia serviram de moldura pra paixão alvinegra. No primeiro jogo do ano, em que uma trégua e um gesto de entrega quase absoluta começou a se desenhar, da arquibancada novamente se ouviu a torcida cantar um a um o nome dos jogadores. Não era déjà vu, talvez uma lembrança distante de um tempo onde amor e paz eram um só.
Parei pra pensar no eletro que o cardiologista pediu, desejei que o Doutor estivesse ali pra diagnosticar que se àquilo o meu coração sobrevivia não havia a necessidade do exame. Acelerado o coração parecia bater próximo a boca querendo saltar a cada lance. Após o susto real, quando o placar nos tirava a invencibilidade, lembrei-me do meu amigo Fael repetindo pra mim na Arena, que sem sofrimento não é Galo. Aquelas palavras que voltaram a minha mente, reduziram um pouco o meu batimento cardíaco e um sopro de esperança me tomou de súbito.
No twitter, um amigo profetizava: “Dane-se, todo mundo sabe que o Galo vai virar”. O coração calejado tinha medo de que fosse diferente.
Quando o relógio marcava mais ou menos 17 horas e 33 minutos um temporal de alegria tomou conta dos corações ressabiados como o meu, o oxigênio que faltava voltou. De tão boa que é a felicidade, ela às vezes dá medo. Mas cinco minutos depois, até o frio policial que estava ali somente a trabalho se arrepiou, os mais escolados atleticanos acostumados a longas batalhas e a batalhas perdidas não contiveram o choro, ah felicidade como é bom te sentir!
Não respiramos mais uma esperança cega, nosso amor amadureceu. E ele é dos mais belos porque caminha com a verdade, porque carrega em si o traço maior da humanidade, o de não pretender a perfeição, o de se entender limitado. Não dominamos a razão porque nosso amor vai além dela. Se às vezes falta à paciência o amor não falta jamais.
Como comentaram na coluna da semana que passou, “o amor pelo Galo é como fogo em gasolina”, arde, inflama, é explosão dos mais intensos sentimentos.
Da mistura que se deu entre tensão e paixão temos a vitória, vencidos por hoje estão o medo, a decepção, a desconfiança, o ressentimento. Cobrimos-nos de vida, aquela que se vive a cada vez que o dia amanhece, onde enfrentamos os percalços, vibrando com pequenas vitórias, guerreando com coragem sempre, enfrentando o que ameaça o êxito final.
Que venha a próxima batalha, aguardamos o próximo embate.
Somos parte de uma Nação de destemor indescritível, somos filhos das cores alvinegras, somos Atleticanos.
Saudações Atleticanas,
Leide Botelho 19/03/2012
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