quarta-feira, 2 de maio de 2012

Caixa de Pandora - 23/04/2012



Ainda em posse de todas as minhas faculdades mentais e mesmo precisando muito descansar, saí em busca de um local para acompanhar o jogo desse domingo 22/04. O local um reduto Atleticano no Barreiro de Baixo, não poderia ser diferente. Nesse dia em que se comemora o Descobrimento do Brasil se alguém pudesse fazer como Cabral e descobrir o que se passa com o nosso Glorioso ficaria imensamente feliz, apesar de sinceramente ver muita coisa e simplesmente não entender. Começo então a coluna dessa segunda.

Ah se não amasse tanto, se não desejasse com todas as minhas forças essas cores cobrindo meu corpo e minha história...

Longe da poesia que a música ditou nas últimas semanas hoje abraço a mitologia grega e suas tragédias. Vejo o Galo como o herói trágico dos empates inaceitáveis, das derrotas inexplicáveis, lutando contra um fator transcendental que controla todos os acontecimentos, fator que faz do simples o impossível para o escudo que tatuamos na alma. Que fator é esse que derrama sobre o “nosso herói” toda série de retaliações quando o que se tenta é manter sob controle o destino? Anseio pela catarse, o dia que enfim seremos purificados por tanto sofrimento. Fim dessa tensão permanente com indícios de fim trágico e distanciamento total desse prenúncio constante de uma catástrofe.

Zeus criou Pandora e a ela foi dado um jarro, ao abrir esse jarro todos os males foram liberados para o mundo restando ali somente a esperança. Vale uma observação; para o Torcedor Alvinegro esperança deveria deixar de ser um substantivo abstrato e se tornar um adjetivo. Abriram a Caixa de Pandora na Sede de Lourdes, restou a nós somente a esperança. Nos apegamos na esperança guardada, como devotos diante de seus santos.

Sabemos do que há de positivo, mas sinceramente irmãos alvinegros, começo a pensar que aquilo que temos de bom não tem sido trabalhado em busca da perfeição. Nesse ponto volto a repetir o quanto me incomoda termos a vantagem do empate, não combina com o Galo esse conformismo com tão pouco.  Testes em momentos decisivos não me agradam. Perceber que o que pensamos, sentimos e vivemos é desconsiderado segundo a segundo por diretores, comissão técnica, jogadores, entre outros me dá um nó na garganta. A síntese do que vivo no que diz respeito ao Clube Atlético Mineiro é lealdade eterna, mas agem como se isso fosse nada. Quanto mais falo com outros amantes alvinegros mais tenho certeza de que minha lealdade é justa e que injusto é não a enxergarem como virtude.

Peço perdão aos meus leitores pela ausência da poesia, pela ausência do romantismo, mas nesse momento é inevitável.

Pandora mesmo sendo entre aspas, a responsável pela chegada dos males, é também sinônimo de força e dignidade, mostra que não há como o ser humano melhorar sua condição, sem enfrentar as adversidades que surgirem.

O que espero para o próximo jogo? Sou Atleticana, sou 100% Galo, em mim há uma esperança guardada para as horas de maior necessidade. Espero força e dignidade, espero guerreiros que enfrentem todas as adversidades, heróis imbatíveis.

Saudações Alvinegras!

Leide Botelho 23/04/2012

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