segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dai-me de beber que tenho uma sede sem fim - 16/04/2012

Do amor à poesia e à música, venho ousando em minhas colunas fazer essa mistura. Por vezes temo não acertar, mas é também tão fácil olhar para o Sentimento Atleticano e ver nele tanta poesia e tantas músicas. 


Hoje falo de uma sede que não termina, da desidratação que flagela a alma.


Estamos desidratados! Desidratados da água da paciência, vamos secando aos poucos as últimas gotas que ainda temos. Nossa diretoria desidratada da água da sabedoria. Nosso elenco desidratado da água da raça.  Quantas crueldades fazem aos nossos corações repletos de paixão e esperança... Minaram nossa maior característica que é a de uma entrega cega e de 100% ao Glorioso. O que há de errado comigo e com vocês? Estaríamos sucumbindo diante do descaso dos que deveriam zelar por nossas cores?


Diante de um jogo como o desse domingo onde aparentemente houve um “acordamento” entre as partes para que ninguém fizesse mais que ninguém, a imagem que me vem à mente, é a de um longo deserto, olho para o caminho já percorrido e não consigo nem dizer o quanto já andamos a garganta seca, um caminho enorme a seguir, adiante algumas miragens, alguns devaneios, muitas incertezas, o medo de não chegar ao local certo. Sinto calafrios, a exaustão me faz temer o que encontraremos à frente. Liderança no campeonato, vantagem de empates. A sede que temos não é compartilhada por muitos que possuem também o poder de nos dar de beber.


Será que o que vemos é irreal e enlouquecemos de amor?  Será que fingem não ver aquilo que vemos? Será que veem e acham irrelevante? O cansaço da caminhada nos retirou a sobriedade e nos fez injustos?


O que espero desse amor ao Galo? Espero fortes e boas emoções, espero alegria de tirar o fôlego, espero ser arrebatada de uma felicidade que não consiga encontrar palavras que a descreva. Caminhamos para encontrar a fonte. Uma fonte que não conceda tão somente a imagem da água pura que jorra, queremos dessa fonte um banho, um sereno e agradável banho. Algo que sacie minha sede e a sede da inumerável Nação Atleticana.


Do tanto que amamos merecemos mais do mesmo, merecemos mais que jogos sonolentos, merecemos mais que o pavor das derrotas sem explicação e a apatia de empates.  Merecemos o sono dos justos e a paz dos que amam com renúncia e obstinação.


Foi ouvindo “A Fonte” de Renato Russo que desenhei a coluna dessa semana, na esperança incessante de que nos venham matar a sede, de que retirem de nós a vergonha da omissão tantas vezes declarada, de que nos libertem dessa culpa de uma possível injustiça e mais que isso que nos livrem do medo do pior sempre.


Somos Atleticanos! Não usamos blusas, carregamos mantos. Não somos torcedores, somos uma nação. Não somos leigos quando o assunto é o Clube Atlético Mineiro somos doutores e mestres nessas cores.


Saudações Alvinegras!


Leide Botelho 16/04/2012

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