quinta-feira, 19 de abril de 2012

E por falar em saudade, onde anda você? - 09/0402012

Não consigo viver sem o Galo! Não tenho coragem de dizer que não irei mais aos estádios, nem vou passar por mentirosa afirmando no calor da frustração algo assim. Sem o Galo não tem como. Os sentimentos que afloram nos momentos em que o Glorioso está campo são indescritíveis, fraternidade vestida de preto e branco da qual não abrirei mão. Que Jobim me perdoe a ousadia de usar parte de sua poesia, mas hoje ela foi redundante enquanto pensava o que falar, “chega de saudade a realidade é que sem ele não pode ser”.

Quando o juiz apitou o final do jogo, meu coração que não batia, batucava, se encheu de uma tristeza desmedida e nada me entristece mais do que a saudade da qual vou falar no texto de hoje. A palavra carro chefe da coluna hoje é saudade. Usada com frequência por poetas, mistura perfeita dos sentimentos de perda, ausência e amor. Como a saudade tem judiado do coração alvinegro. Como ela tem sido presente.

Saudade machuca, saudade doí, ainda mais quando não conseguimos sequer imaginar quando ela acabará.
É saudade do que não vi, mas ouvi falar, Aníbal Machado, Mario de Castro, Guará, Barbatana, Telê. É saudade do que a história eternizou Reinaldo, Dadá Maravilha. É saudade do que pude ver Éder Aleixo, Guilherme, Marques, Valdir.

Tenho saudades da vontade de vencer, da necessidade de golear, tenho saudades de quando no mínimo, o que se queria era o máximo. Tenho saudades de uma torcida que não parava de cantar, que não se calava nem quando o cenário não era perfeito, mesmo quando a dor tentava tirar a voz e paralisar. Tenho saudades do amor sem mácula e sem mágoa. Se saudade é falta, sinto falta de ver gana infinita no plantel atleticano, se saudade é ausência, sinto a ausência de ambição pelo melhor. E que outro poeta também me perdoe por usar suas palavras, porque um dia Vinícius de Moraes escreveu “E por falar em saudade, onde anda você” e eu continuo procurando onde está o Clube Atlético Mineiro, não este que faz arder meu coração de saudade, mas aquele que já fez meu coração doer de tanta alegria, de tanto orgulho, aquele que me deu nomes pra gritar com respeito e não indignação.

E parafraseando o poeta Vinícius de Moraes, não podendo ser sem meu Galo, que nossas preces sejam atendidas e ele regresse para que cesse o sofrimento, para que desapareça a saudade, para que volte a paz, sem melancolia. Para que o reencontro seja de festa, para que aqueles que já passaram de onde estiverem não dividam com a gente dessa saudade ingrata. Para que nossa saudade só rime com amor e não com dor.

Saudações Alvinegras!

Leide Botelho 09/04/2012

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