Pagaria
eu o pecado de não ter passado todo o domingo ao lado do meu pai? Maior
condenação ainda por incutir no meu filho tamanho amor pelo Glorioso, que ele
também optasse por não estar junto ao pai dele para estar com o Galo?
O
domingo de vento frio na capital das Minas Gerais, regado à cerveja, amigos e
ansiedade, se desenhou desde cedo promissor. Na pregação da missa que assisti
às 10hs um sinal, o padre foi categórico quando falou que quando recebemos um
dom de Deus, por mais que surjam adversidades, problemas, embates, tormentas,
não podemos deixar esse dom de lado. Mais que imediatamente me situei e situei
toda a Nação Atleticana. Após o sábado de tensão que se estabeleceu graças a um
suposto desentendimento entre nosso presidente e nosso maestro, ganhava corpo à
misericórdia que temos recebido semanalmente. Pensei em todo buchicho, demérito
e despeito aos quais têm nos submetido e as palavras do padre soavam como diretas,
ecoando no cerne da minha alma alvinegra. Deixar em casa minha família assinava
o termo de dom recebido, ser Atleticano é DOM, não é para todos, é privilégio,
é virtude. Sai da igreja pensativa e envolta numa leve paz que só o preto e o
branco da minha camisa faziam entender.
Um
delicioso frisson guiou meu coração até o Independência, sabe aquelas coisas de
paixão? Que bobagem essa pergunta, é óbvio que sabem como é isso. Exatamente do
jeito das paixões, um arrepiar, um suspirar, um ansiar. Dom que vem acompanhado
de bênçãos são a cara e a identidade de
um povo, ali no mar de mantos, de sonho e espera, resenha, risadas e a vontade
de adentrar para o campo de batalha e vencer mais uma.
Quando
começou o jogo, diga-se de passagem, que jogo, o mosaico de amor com milhares
de rostos compondo um exército era mítico, para cada lado que se olhasse,
exalava fé, com ela também o receio doce de estar simplesmente inebriado de
amor e cego na paixão e novamente as palavras do padre vinham à tona. Aquilo
era DOM, algo que não se escolhe, se recebe e se vive. Muitos minutos se
passaram nessa esfera indescritível, até que um gol colocou por terra a
prepotência e a barreira da inveja, era o DOM vencendo a maldade. Choro e
sorriso se misturaram, num gesto quase automático, minhas mãos se elevaram e em
oração agradeci. Aquele “obrigada Pai do
Céu”, não foi herege, profano, foi uma maneira de louvar ao criador pelo DOM
que me deu e que me imortaliza tal como o Glorioso das Alterosas.
Nosso
papel hoje é acreditar no Galo antes de gastar energia com quem não tem propriedade
nenhuma pra adjetivar a nossa paixão e nem poder de indicar a direção para a
qual iremos. Os que não compartilham conosco desse sentimento e além disso
ainda guardam uma má vontade, não podem nos fazer padecer na dúvida, nosso DOM
nos fará focar no que sentimos e vivemos nessa competição e deixar o rio seguir
seu curso. Novamente as palavras do padre; nenhuma tormenta, nenhuma
adversidade pode desanimar e colocar abaixo aquilo que é DOM, aquilo em que se
acredita. As lágrimas de ontem já secaram, de ontem ficou apenas o sorriso e a
certeza de que o Sentimento Alvinegro não irá cessar.
Saudações
Alvinegras!
Leide
Botelho 13/08/2012
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