De joelhos ou com as mãos elevadas em
sinal de louvor, com os olhos mirando o céu como se absorvesse uma luz vinda de
lá... Assim se desenharam as cenas antes, durante e depois do jogo desse final
de semana.
Impossível mensurar o misto de
emoções e pensamentos que nos cercam. Confiantes e ressabiados ao mesmo tempo,
felizes e contidos. Pés no chão, mas uma imensa vontade de flutuar de alegria.
Lembrei-me de um trabalho feito na
faculdade que falava de uma imprensa que devido à censura na década de 40,
adjetivava positivamente em demasia e até deixava dúvidas no encantamento que
tentavam demonstrar. Agora a imprensa não estava debaixo do crivo pesado da
censura e nem tinha interesse em elogiar, as palavras eram inevitáveis... Incrível,
sensacional, o nome do Glorioso merecia atenção e o uso de mais uma palavra
“épica” que traduzia a vitória do sábado. O épico é grandioso, heroico,
vitorioso, tal como o Glorioso. Um gol de pênalti
alimentaria nossa esperança, no entanto outros três nos deixariam apreensivos e
tentariam nos convencer de que o nosso sonho é algo de que sentimos o cheiro e
não o gosto. Da esperança alimentada em
porções, viria o banquete de fé, força e garra que acenderia sobre nós um
letreiro luminoso dizendo SIM NOS PODEMOS ou como já vimos tantas vezes YES WE CAM. No silêncio dos humildes e longe dos
holofotes, estão sendo obrigados a nos enxergar e tem sido impossível nos
ignorar.
Entre olhares incrédulos do início ao
fim, existia a certeza daquele que confia na força do que sente, era como se o
nosso amor pudesse transpor os muitos quilômetros que nos separavam de Santa
Catarina e chegassem lá como energia que move e transforma tudo.
Uma luta infinda faz parte da
história que escrevemos ao lado do Clube Atlético Mineiro, não tememos as
batalhas e nem abandonamos o campo quando essas parecem intermináveis, injustas
ou perdidas. Não esperamos jamais o fim da luta, sem dificuldade já sabemos não
é Galo, sem o coração pulsar forte não é Galo, sem sentir arrepio não é Galo. É
preciso frio na barriga pra certificar o amor, é preciso à dúvida para a
certeza ser concreta e convicta.
Tenho sentido algo que não descrevo,
acredito que outros sintam como eu, dessa vez mesmo com cautela, parece tão
próximo, que um receio acompanha a alma alvinegra, querer viver, querer sentir
e temer que seja a ilusão de quem ama. Mas quem ama arrisca e quero me jogar
nesse mar em preto e branco e deixar que ele me leve para onde quiser e que lá
no final nos espere a taça. Se por acaso não for como merecido, não temi a
felicidade e continuarei a esperar por ela, porque do meu DNA faz parte a
espera e o desejo.
Olhar para os lados, ver no rosto de
cada amigo o retorno da fé e perceber que nunca naqueles olhos a esperança
brilhou tanto, me fez novamente mirar o céu e agradecer por fazer parte dessa
família de loucos apaixonados. Somos líderes! Somos Galo!
Saudações Alvinegras!
Leide Botelho 15/07/2012
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