Deuses,
anjos e santos que habitam o que chamamos de universo, quantas vezes clamamos
por vocês, com olhar de piedade, esperando que a nós fosse direcionada a paz
que a segurança concede. Muitas vezes praguejamos por nos sentirmos esquecidos
envoltos na loucura desse amor que não se explica. Mas se há algo que nos
sustenta além do sentimento é a fé que nossas preces possam ser atendidas.
Cada
rosto à minha volta no domingo dia 08/07/2012, parecia viver um momento primeiro,
algo nunca antes vivido. Não fosse pela certeza de que todos ali já viveram
outros momentos mágicos cobertos pelo nosso manto sagrado, diria que estávamos
diante de algo de tão novo surpreendente.
Não
houve uma brilhante atuação, não foi um jogo sensacional que me fez pensar
assim, que me fez sentir assim. O que me levou às letras escritas nos dois
primeiros parágrafos dessa coluna e que me levará até o final dela, foi o
caminho trilhado até o momento. Foi perceber que a apatia deu lugar a gana, que
o sentimento que faz pulsar o sangue em nossas veias, parece ter chegado ao
campo como em transfusão. Foi perceber que lá no gramado começaram a entender a
proporção dessa troca indecifrável de força entre a Massa Atleticana e o
Glorioso das Alterosas. Foi recuar em algumas críticas e perceber que mesmo
aparentemente insano, às vezes aparentemente omisso, nosso presidente tal como
nós, ama loucamente esse GALO e nos deu motivos para confiarmos novamente na
herança que traz em si do grande Elias Kalil.
Quantas
vezes nos deitamos com medo do dia seguinte, das piadas, das críticas. Quantas
vezes ousamos ter raiva daquilo que não faziam pelo nosso Atlético e num
momento passageiro de revolta, até falamos em desistir.
Voltar
pra casa após mais uma vitória, trouxe um medo diferente no domingo... Medo da
felicidade que parece possível, medo do sonho que se vislumbra e se aproxima
sorrindo. Talvez a tantos pareça utopia. Talvez eu esteja aqui preenchendo
espaços na tela em branco com palavras que em nada significarão a outros, mas
carrego comigo nesse momento um frisson do qual não quero abrir mão, algo que a
vida me trouxe em três letras e duas cores.
Os
mesmos deuses, anjos e santos que há um tempo pareciam não ouvir as preces de
uma nação, parecem estar se convencendo do merecimento dos mortais mais
apaixonados de que já se ouviu falar na face da terra. Os mesmos deuses, anjos
e santos sinalizam que primeiro nos prepararam a alma pra alegria chegar e não
explodir esses corações. Os mesmos deuses, anjos e santos, do alto de sua
divindade, primeiro uniram tantos que nunca haviam se visto se falado e
constituíram uma família. Unidos pelo amor, pela dor, pela alegria que está
para chegar, unidos pela mesma fé e pelo mesmo querer, que iguala negros e
brancos, ricos e pobres, crianças e adultos, homens e mulheres.
No
domingo em que a tarde começou triste, quando irmãos alvinegros sofriam por uma
palavra que não fora dita com sabedoria, ou por alguém que amava e não estava
bem, os aqui tão falados “deuses, anjos e santos” nos lembram que o amor supera
tudo, divergências e dificuldades, que esse amor acalma, devolve sorrisos. Do
mais alto vem a certeza de que caminhamos na direção certa, mas só faz sentido
o triunfo se o que nos aproximou nos mantiver lado a lado. O que uniu a tantos,
não poderá ser jamais o que separa, buscamos tanto e esperamos tanto que o
sonho voltasse a ser possível que as mãos precisam estar ainda mais
entrelaçadas, porque nos vestimos de preto e branco e não abandonaremos jamais
estas cores.
Obrigada
deuses, anjos e santos pela nova chance, obrigada ao jogador que falhou e se
redimiu, obrigada ao adversário que falhou e nos deu a vitória, obrigada ao nosso
novo goleiro que chegou e já se uniu a nós, obrigada à grandiosa Nação
Atleticana que continua fazendo bem o seu papel. Obrigada ao criador que de
tanto amor, deu ao homem a capacidade de criar o Clube Atlético Mineiro e através
dele a paixão que nos faz amigos e família.
Saudações
Alvinegras!
Leide
Botelho
09/07/2012
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