O domingo amanheceu quente
como o coração da Massa. O calor do sol fazia ferver a alma atleticana e enchia
de força o olhar de uma Nação.
Existem expressões que são
inevitáveis quando se fala de Clube Atlético Mineiro. Palavras que não cansamos
de usar, repetir e escrever.
Tomados de uma ansiedade
descomunal, tivemos uma semana digna da história do Glorioso.
Uma virada contra
o Sport, um empate heróico contra o Santos e nada mais justo que a vitória
sobre o favorecido Fluminense.
Mesmo cansada segui para a
La Galonera. O ritual seguido é terapia da qual não abro mão.
Meu filho me
acompanhando, a cerveja gelada, os amigos e o Galo.
Nas conversas como de
costume, ia me encontrando nas palavras e olhares de outros alucinados pelo
clube de Lourdes. Não há exclusividade no que sinto, não há exclusividade nos
sentimentos que coloco no papel. O meu sentimento é sempre o de muitos. É assim
o traço mais marcante da identidade de um povo.
Ali no estádio milhares que
representam milhões, o grito de cada um tendo que valer pelo grito dos que não
conseguiram ingresso, pelo grito dos que estavam distante. A responsabilidade
dos presentes era multiplicada.
Gostoso amar e ser
correspondido. O Maestro antes do jogo caminhou pelo campo saudando a torcida como
se abraçasse um a um nas arquibancadas. Cena daquelas que jamais esqueceremos.
O início da batalha, o
coração passando da primeira para a quinta marcha direto, sem tempo de pensar.
Ah e como foi gostoso assistir os primeiros quarenta e cinco minutos, uma aula
de futebol, um show que valeu cada centavo pago no ingresso. As bolas na trave,
a pintura do gol anulado, o canto que não teve como ser censurado, o protesto e
a certeza de que nós merecemos o título por ser o que somos e ter o que temos
de maneira limpa e justa.
O empate injusto até o
intervalo provava mais uma vez que seremos provados no fogo enquanto houver
ares de vida nos corações que louvam o mais lindo alvinegro do mundo.
Quanta adrenalina, quanta
tensão. Um amigo do meu lado me olhava e repetia que íamos ganhar, a emoção do
meu amigo era a minha emoção e a de tantos. A certeza do coração dele era a do
meu coração e do coração de milhares. Em alguns momentos tudo pareceu
infundado, severo em demasia e eu me lembrava e repetia como que em um mantra
que a esperança não morre num coração que carrega aquilo que é imortal. Tive
medo, porque mesmo imortal carrego a humanidade que me permite sentimentos.
Qual a dimensão da alma
atleticana? Quanto de emoção cabe em cada um dos milhões de apaixonados? Não há
estatística e nem números para isso. E como diria o poeta Fernando
Pessoa “tudo
vale a pena se a alma não é pequena”.
À Nação Atleticana valeu a
pena o jogo, a tensão, porque somos o que somos e apenas o ser já basta. Sendo
o que somos incomodamos, naturalmente incomodamos. O que chama a atenção a nós
é o que fazemos de forma mais gratuita e espontânea, é o jeito de amar, de se
doar, de acreditar e de não se entregar. Não fugimos à luta, não abaixamos a
cabeça e sabemos que nossa hora vai chegar.
Enquanto aguardamos o nosso
sol, amamos incondicionalmente, cremos que haverá o momento em que tamanha será
nossa força que derrubaremos até o que parece impossível derrubar. Calaremos os
infames e faremos o mundo entender que o amor merece reverência e o mundo se
curvará diante da grandeza tanto já ignorada do Glorioso das Alterosas, o Clube
Atlético Mineiro.
Saudações alvinegras!
Leide Botelho 22/10/2012
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