sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Tudo vale à pena - 22/10/2012



O domingo amanheceu quente como o coração da Massa. O calor do sol fazia ferver a alma atleticana e enchia de força o olhar de uma Nação.

Existem expressões que são inevitáveis quando se fala de Clube Atlético Mineiro. Palavras que não cansamos de usar, repetir e escrever.

Tomados de uma ansiedade descomunal, tivemos uma semana digna da história do Glorioso. 

Uma virada contra o Sport, um empate heróico contra o Santos e nada mais justo que a vitória sobre o favorecido Fluminense.

Mesmo cansada segui para a La Galonera. O ritual seguido é terapia da qual não abro mão. 

Meu filho me acompanhando, a cerveja gelada, os amigos e o Galo.

Nas conversas como de costume, ia me encontrando nas palavras e olhares de outros alucinados pelo clube de Lourdes. Não há exclusividade no que sinto, não há exclusividade nos sentimentos que coloco no papel. O meu sentimento é sempre o de muitos. É assim o traço mais marcante da identidade de um povo.

Ali no estádio milhares que representam milhões, o grito de cada um tendo que valer pelo grito dos que não conseguiram ingresso, pelo grito dos que estavam distante. A responsabilidade dos presentes era multiplicada.

Gostoso amar e ser correspondido. O Maestro antes do jogo caminhou pelo campo saudando a torcida como se abraçasse um a um nas arquibancadas. Cena daquelas que jamais esqueceremos.

O início da batalha, o coração passando da primeira para a quinta marcha direto, sem tempo de pensar. Ah e como foi gostoso assistir os primeiros quarenta e cinco minutos, uma aula de futebol, um show que valeu cada centavo pago no ingresso. As bolas na trave, a pintura do gol anulado, o canto que não teve como ser censurado, o protesto e a certeza de que nós merecemos o título por ser o que somos e ter o que temos de maneira limpa e justa.

O empate injusto até o intervalo provava mais uma vez que seremos provados no fogo enquanto houver ares de vida nos corações que louvam o mais lindo alvinegro do mundo.

Quanta adrenalina, quanta tensão. Um amigo do meu lado me olhava e repetia que íamos ganhar, a emoção do meu amigo era a minha emoção e a de tantos. A certeza do coração dele era a do meu coração e do coração de milhares. Em alguns momentos tudo pareceu infundado, severo em demasia e eu me lembrava e repetia como que em um mantra que a esperança não morre num coração que carrega aquilo que é imortal. Tive medo, porque mesmo imortal carrego a humanidade que me permite sentimentos.

Qual a dimensão da alma atleticana? Quanto de emoção cabe em cada um dos milhões de apaixonados? Não há estatística e nem números para isso. E como diria o poeta Fernando 
Pessoa “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

À Nação Atleticana valeu a pena o jogo, a tensão, porque somos o que somos e apenas o ser já basta. Sendo o que somos incomodamos, naturalmente incomodamos. O que chama a atenção a nós é o que fazemos de forma mais gratuita e espontânea, é o jeito de amar, de se doar, de acreditar e de não se entregar. Não fugimos à luta, não abaixamos a cabeça e sabemos que nossa hora vai chegar.

Enquanto aguardamos o nosso sol, amamos incondicionalmente, cremos que haverá o momento em que tamanha será nossa força que derrubaremos até o que parece impossível derrubar. Calaremos os infames e faremos o mundo entender que o amor merece reverência e o mundo se curvará diante da grandeza tanto já ignorada do Glorioso das Alterosas, o Clube Atlético Mineiro.

Saudações alvinegras!

Leide Botelho 22/10/2012

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