Não existe campeonato estadual ou nacional, não
denominamos nem por competição internacional, jogo mais importante ou menos
importante, no dia a dia de uma nação como a que pertencemos só existe um tipo
de jogo. Existe jogo do Galo. Nem mais, nem menos relevante
Poderia eu despretensiosamente tentar navegar no
olhar de uma pequena que atrás de mim não ousava piscar durante o tempo em que
ficamos no estádio. Poderia eu, humildemente me colocar no lugar daquele pai que
encheu os olhos de lágrimas quando viu sua filha olhar pra ele e dizer:
obrigada pai!
Já vivi tantas vezes isso, como mãe ao lado do meu
filho e me sentindo menina, tamanha felicidade proporcionada pelo Galo,
simplesmente pelo fato de poder ser tal como sou Atleticana.
Não vou usar desse espaço hoje, pra falar da parte
técnica e tática, muitos outros competentes comentaristas, cronistas e
profissionais o fizeram e farão. Rapidamente vou falar da minha pirraça quando
vi em campo o camisa 10, não me convenço nunca que ele mereça ali estar, fiz
cara de criança contrariada, mas enfim também como criança nem sempre tenho
razão.
Fiquei o primeiro tempo todo meio encostada, meio
querendo que alguém viesse me bajular, fazer minha vontade, acabar com o que me
contrariava e assim como criança acabava por me distrair entre um momento e
outro de emoção fosse com algum lance perdido ou com um gesto da pequena Camila
em seu primeiro jogo no estádio. Encantada, fascinada e certa da paixão que
herdou do pai e que indiscutivelmente carregará pra sempre consigo.
Por mais que os anos de sentimento venham ensinando
que de nada adianta ousar explicar, decifrar, ainda me pego pensativa com as
reações na arquibancada ou em campo.
Se rendem a criança de oito anos ou a criança de trinta
e quatro, porque diante de nossos olhos até um profissional explode de alegria
e excelência em campo e provoca uma reação em cadeia. Meio super herói, meio
menino, faz milhares de meninos e crianças também em cada canto do estádio. Uma
alegria visível, contagiante, real. Verdade em preto e branco.
Não, não foi só mais um jogo do Galo. Cada jogo é
catalogado, inesquecível, marcante, eterno, único, nosso.
Que venha o próximo capítulo da memória de um amor
que arrasta multidões.
Saudações Alvinegras!
Leide Botelho
18/03/2013
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