Após reencontrar o meu coração (e acredito eu, que meus irmãos Atleticanos precisaram também sair por aí buscando cada um pelo seu, explico melhor essa teoria à frente), venho tomar posse dos caracteres para a forma dessa coluna.
Como todos bem sabem me agrada misturar poesia e música aos meus textos e mesmo antes do jogo, uma música já havia sido escolhida.
Quando da primeira notícia sobre a proibição das máscaras, a minha primeira reação foi de protesto, não por me agradar o adereço, nem de longe bonito de se ver, pelo contrário, medonho, mas se a ideia era de assustar, concordo que a noite combinou bem com as máscaras utilizadas. Voltando ao protesto, fui ao twitter mostrar minha indignação com a proibição, pensando primeiramente na liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal e em segundo lugar no trabalho bem feito que a polícia militar de qualquer estado deva realizar, sem uso de desculpas.
O primeiro jogo no México, a sequência de jogos sem vitórias, o coração e alma apaixonadas, perdidos de amor, mas os pés consequentemente pregados no chão me causaram um certo temor. Minha fé permaneceu intacta, mas a minha razão gritava cautela e eu segui para o Horto.
Companheiros que assistiam ao jogo ao meu lado, vez ou outra me olhavam e batiam no meu ombro tentando me transmitir alguma paz, algum acalanto, era como se tentassem impedir que meu coração saísse de dentro de mim. Eu olhava para o campo, para o céu, repetia uma prece, beijava minha medalhinha, gritava esquecendo todas as orientações do fonoaudiólogo no dia anterior.
Em certos momentos, parecia estar sozinha ali, de repente lembrava que não estava, procurava o Dandan, o Marcelo, os que não conhecia e estavam todos com a mesma expressão. Sensação maluca de que não havia mundo fora do Caldeirão do Horto. Tirando pela ausência do pequeno Leo, tudo que eu precisava estava ali.
No jogo de ontem entendi que maior que o coração é a alma, nela sempre fica o que o coração sente, os corações saíram de dentro dos atleticanos, restou a alma e quando o árbitro apitou aquele penal, um silêncio cruel, calou cada uma das almas. Ali, senti que onde estivesse meu coração, ele tinha parado de bater, lembrei-me do meu filho em casa, pensei no coração dele e no silêncio que paralisou o Horto, pensei num controle remoto dando STOP em tudo, não sei como me virei de costas e na terceira Ave-Maria alguém apertou o PLAY. Voltei à vida, ressuscitação feita, coração batendo de novo no peito, voltei a ver, a ouvir.
E nada mais apropriado que pedir a Sérgio Sampaio[1] aonde quer que esteja que me dê a honra de usar e ajustar sua letra pra cantar a alegria da Massa.
Houve quem dissesse que não sabíamos de nada, que não éramos de nada, mas não pediremos desculpas, peçam vocês desculpas, até demos bobeira, quase fomos pegos, quase e o que queremos?
“Eu quero é botar meu bloco na rua, brincar, botar pra gemer! Eu quero é botar meu bloco na rua. Gingar, pra dar e vender.”
“Eu, por mim, queria isso e aquilo. Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso. É disso que eu preciso ou não é nada disso. Eu quero é todo mundo nesse carnaval…”.
Com máscaras ou sem elas, queremos nosso povo na rua, queremos a festa da Massa, queremos a Nação feliz, queremos o que merecemos, queremos o que buscamos um amor que de tão resignado faz jus às glórias, uma entidade que mesmo com todos os percalços e com todo o descrédito se mantém viva graças aos que a amam incondicionalmente. Merecemos não somente pelo bom futebol, pelo maestro, pelo ídolo, pelo maluquinho, merecemos pelo que sentimos, pelo que vivemos, merecemos por ser o que somos e somos APAIXONADAMENTE ATLETICANOS!
Saudações Alvinegras!
Leide Botelho 31/05/2012
[1] Sérgio Sampaio foi um cantor e compositor brasileiro que nasceu no Espírito Santo, compositor da música “Eu quero é botar meu bloco na rua” referenciada na coluna, parágrafos 9, 10 e 11.
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