Ah essa nação... Essa nação que faz do caminho de pedras, um tapete de flores. E toma sol e queima o rosto e desidrata, e ama. Essa nação tomada de uma indiscutível dignidade levanta a cabeça e dá a volta por cima, e fica brava, e reclama e fica bem de novo e ama.
Quantas vezes você que acompanha esta coluna, já se perguntou o porquê de caminhar com tanta obstinação e mesmo sem ter a resposta, seguiu seu caminho?
As leituras dessa semana em outros sites e blogs direcionaram o texto dessa segunda. Parti em busca de vertentes opostas, filosofia e religião, pra mostrar que o contraditório é amor, que o inexplicável é amor.
Nem o mais lúcido atleticano tem a explicação pra essa paixão. Nem o mais cético e frio estudioso conseguiu ou conseguiria explicar a força que nos move. Então irei parafrasear pra encontrar esse sentimento em anos de história da humanidade
¹O amor não aceita injustiças, clama por verdade. Quantas vezes sentimos essa injustiça com nossas cores e esbravejamos clamando por uma verdade que nos devolvesse aquilo que nos haviam tirado. O amor sofre, acredita, espera, suporta todas as adversidades, ele nunca falha, e ontem vivenciamos isso dos 10 aos 35 minutos do segundo tempo da partida da quinta rodada do campeonato estadual. Mesmo que o mundo deseje o fim desse amor, esse desejo alheio infame cai por terra, e nada explica esse sentimento, não haverá ciência que o defina. Se hoje conhecemos a parte difícil desse amor, quando vier o que é perfeito, toda a primeira parte será esquecida, dizimada da memória.
Do que conheço de amor, daquilo que vivi, tentei achar não uma explicação, mas palavras que permitam que nos situemos dentro do sentimento que as cores do Glorioso, derramam em nós.
₂Esse contemplar a simplicidade do sagrado manto que fazemos de segunda pele, esse tornar divino o que foi criado pelo homem, essa imortalidade concedida pelo amor que não cessa, foi encontrada também nas palavras de Sócrates o filósofo e de Camões. Na idéia de amor de Camões, os amantes são inseperáveis, se tornam um só, aquele que ama passa a ser também o ser amado. E não há o Atlético sem a Massa e nem a Massa sem o Atlético
Lutas diárias, dificuldades, aquele tão gostoso “fazer as pazes”. A cada partida inicia-se uma nova contagem regressiva. Não esperamos doçura e vitória sem guerrear porque nosso amor nos ensinou a jamais abandonar o campo de batalha. Temos um desejo incontido, uma busca interminável pela presença e a certeza de que vale a pena cada passo dado.
Enfim tenho a síntese de uma nação em um soneto, ³”é um contentamento descontente”. É dor que desatina sem doer. É um querer mais que bem querer. Ë querer estar preso por vontade é ter com quem nos mata lealdade.
Somos as cores, as dores, somos o Atlético. Esse sentimento é filosófico, bíblico, é soneto, é música, não se explica, não é razão, esse amor se vive, se respira, esse amor alimenta, esse amor é combustível pra alma alvinegra.
Saudações Atleticanas,
Leide Botelho 05/03/2012
¹parte parafraseada em Coríntios 1 13: 6-10
₂ parte parafraseada de Sócrates
³ parte parafraseada de Luiz Vaz de Camões – soneto 11
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