quarta-feira, 23 de maio de 2012

Porque amamos e por amar merecemos - Coluna 14/05/2012


Hoje não vou falar dos problemas que ainda existem, das dificuldades, dos ressentimentos, eles ainda não se foram, mas hoje quero falar daquilo que mais combina com nosso DNA, com nossa paixão, a alegria.


Domingo dia das mães e como não poderia deixar de ser, final do Campeonato Mineiro. O que mais um coração materno e alvinegro poderia desejar para este dia senão o estar em família, Família Alvinegra, com sua filial? 


Lá estava eu, meu filho, meu coração receoso, nó na garganta, frio na barriga e cabeça a doer. A mística que envolve o vestir essas cores de tão grande, nos deixa meio que anestesiados de amor e emoção. Mundo lá fora? Não, não existe mundo lá fora.


Comparar à Massa com seu abraço caloroso, seu afeto sem renúncia, às mães, não seria loucura. Volto a dizer que quem ama jamais abandona quem ama jamais ignora. E estávamos lá dando sentido à frase exibida no telão “Atleticano seja bem vindo à nossa casa”. Milhares de vozes, milhares de corações que batiam cadenciados, que estavam na sintonia mais que perfeita com milhões de corações que não puderam comparecer fisicamente, mas que tele transportaram sua alma em uma devoção invejada por tantos.


Na explosão de alegria do primeiro gol, o que muitas vezes parecia insano e inaceitável se fez herói e iniciou o consciente estado de graça.


A que se pensar onde garra e destemor se escondem para aparecerem de súbito e caracterizar de maneira tão diferente os antes apáticos e agora guerreiros vestidos de preto e branco.


Vimos à nossa frente uma equipe e não somente um time. Ali demonstraram se conhecer, ali sentimos que não eram estranhos uns aos outros. Ali, mesmo que ainda assombrados por desconfianças nos sentimos representados, tal como sempre pedimos.


Ah quando o jogo acabou... As lágrimas vieram aos olhos, me senti tão idiota, mas tão idiota que só quem ama é tão idiota assim. No meu medo de parecer patética, sequei as lágrimas enquanto um filme se passava em minha cabeça com a pergunta “porque não é assim sempre?” E ao olhar para os lados, não me senti idiota sozinha, vi que o “idiotismo” é característica principal de quem se entrega sem reservas, de quem não se importa com o que os outros dizem de quem não se abate com as adversidades e simplesmente segue ao lado daquilo em que acredita.


A sintonia agora era perfeita, naquele momento elenco e torcida pareceram um só, estávamos alegres, eles também. O consciente estado de graça a que me referi alguns parágrafos acima, vem pra assinar que a nossa maturidade emocional não nos faz frios, mas nos faz justos ao ponto de reconhecermos a digna apresentação do elenco de quem tanto cobramos.


Ali nosso Manto, nosso canto, nossas cores no mais alto lugar de onde sequer poderia ter se afastado, de onde jamais esse nome deveria ter se ausentado. Tal como uma mãe que se enche de orgulho dos primeiros rabiscos de um filho, não há grande título ou título menor, há simplesmente aquilo que vem de quem amamos que é grandioso, que é único, que é valioso.


Que o nome do Glorioso das Alterosas permaneça sempre entre os grandes, que a nuvem que encobriu o céu da alma atleticana seja dispersa de agora para sempre e que tenhamos mais, muito mais, porque amamos e por amar merecemos!


Parabéns aos invictos campeões! Parabéns à inigualável Nação Alvinegra, inexplicável exemplo de amor e fidelidade. 


Saudações Alvinegras!


Leide Botelho 14/05/2012



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