Nunca uma música se encaixou tão bem a um momento. Misto de amor e rancor. Foi a primeira vez em mais de 20 anos frequentando estádios que fui a um jogo sem o menor ânimo, a paixão louca, desvairada hoje é contida, aprisionada, fui pelos amigos, fui pelo trabalho e não pela fé que sempre me moveu.
O Independência ali tão diferente à minha frente, nem de longe lembrou o antigo estádio. Diferente, um novo mundo, tão novo que parece não se ajustar à Nação a que pertenço. Pensei, o futebol é cada dia menos do povo. Fiquei lembrando da origem do sacrificado Glorioso do povo para o povo. Me deu saudade do famoso tropeiro e quando me situei ele havia sido trocado por esfihas. Lembrei das minhas lágrimas derramadas por amores que passaram e não ficaram e senti o peito apertar por mais um amor não correspondido. Outro pensamento veio à mente, quantas trocas injustas acontecendo sem vislumbrar qualquer solução.
Novamente a música que virou segundo hino da Nação e seus versos e palavras soando tão reais, a traição, a falta da lealdade a quem sempre esteve e está ali de peito aberto esperando um gesto, um afago. Sentimentos que relativizam todo valor existente naquele que ama. Os pensamentos continuaram vindo. De que adianta tanto amor e fidelidade se nem isso é suficiente para recebermos de volta o prêmio por tamanho sentimento? Vamos sendo trocados por cifras, por acordos, ignorados e abandonados, inundados no descaso.
Das festas de bandeiras, cantos, aplausos, o som parecia vago, distante, não identificava ali algo vivido anteriormente. Me senti confusa, não vibrei, mal falei, nem arrepiei, sentimento estranho. Parecia anestesiada por pensamentos, medos, lembranças. Pensei o que fazia ali se minha esperança tinha ficado perdida, se não sabia aonde a tinha deixado. O peito apertou, entre gritos de protesto e ensaios de apoio, me sentia numa esfera tão diferente, num estágio novo e desconhecido dessa relação. Temi o novo momento.
Se nada é mais como antes o novo poderia chegar como prenúncio de um tempo de glórias, mas o novo causa o temor do esquecimento, porque se conosco agem com desprezo, disso para que se esqueçam do que realmente somos falta pouco.
Caminhamos beirando o abismo e insistem em nós dizer que o caminho é seguro. Não nos mostram uma luz e querem que a enxerguemos. No breu total querem nos convencer que é só caminhar sem a preocupação de saber onde pisamos.
Enquanto tantos festejam empates e até derrotas, a grande e destemida Massa Atleticana parece sem razão, mas só quem desfila com orgulho o Manto Alvinegro entende e sabe da dor que a indiferença causa. Mas ninguém apresenta a cura, ninguém oferece o remédio, só nos pedem paciência e enquanto isso a ferida aumenta, a agonia consome.
O imutável até então é o de sempre. O imortal até então é mais que o nome. Imortais são o Clube Atlético Mineiro e o amor que nos mantém ainda que inertes presentes, ainda que ignorados, apaixonados, ainda que com a voz embargada externando o sentimento.
Quero o Meu Galo de volta, mas quero de volta também o meu coração, que ferido e descrente foi roubado pela ignorância e omissão. Quero o Meu Galo de volta, mas quero de volta também a esperança que moveu meus dias sempre e sequestrada pela indiferença está condicionada ao “se”. Quero Meu Galo de volta, mas quero de volta também a força do meu canto pra com meu manto sorrir a paz do amor correspondido.
Saudações Alvinegras!
Leide Botelho
07/05/2012
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