Começo
a coluna dessa semana falando do quanto à vontade faz a diferença. É através da
vontade que o ser humano toma frente de alguma coisa, diante de algo desejado
ou que rejeite. Para filósofos como Santo Agostinho liberdade e vontade é uma
coisa só e através delas nos tornamos dignos de elogios ou dignos de repressão.
Diante
das limitações técnicas do nosso time, viemos repetindo o quanto é importante
que os nossos jogadores demonstrem em campo, gana, raça, vontade. Percebemos
nos últimos jogos que esses fatores realmente podem nos tirar de um imposto
anonimato e nos devolver ao topo. Os coadjuvantes resolveram não o ser mais.
O
domingo começou para a Nação Alvinegra como tantos outros domingos onde o
roteiro do dia é óbvio; hoje tem jogo do Galo!
Da
maturidade que insisto em pontuar, os pés firmes no chão só pediam aos céus que
não fosse muito difícil, porque o difícil já é adjetivo para Massa.
Programas
esportivos do dia resolveram mostrar o retrocesso do confronto sem vangloriar
nossos heróis, colocando em destaque nosso carrasco. O coração que amanhece em
dias de jogo batendo em ritmo acelerado, começava seu exercício mais exaustivo.
Enxerguei
a vontade que tantas vezes faltou, lances que desmereciam a vontade na falta de
técnica, procurei outras coisas que não conseguia enxergar, mas me mantinha
calma porque o muito difícil não tinha vindo o céu havia atendido minha prece.
Era
possível sim, se era possível, somos acostumados a provar do ceticismo à fé
absoluta, o que parece contraditório, mas perdoável diante das intempéries
enfrentadas constantemente pelos devotos do Glorioso das Alterosas.
A
ansiedade que já é comum a essa rotina de devoção aumentou por ter que
acompanhar pela TV. Ouvir os gritos e pensar que meu grito que não estava lá
poderia ajudar todo canto a ser mais alto, foi torturante. Me contive esperando
o tempo passar e quanto mais os minutos passavam a fé ia vencendo o ceticismo e
eu conseguia acreditar um pouco mais no que antes parecia pouco provável.
Procurei
entender sem sucesso o motivo de ver um ou outro como titular, mas esqueci de
que há em tudo um motivo e pra tudo há uma resposta. A resposta veio fazendo do
meu vilão um herói, nesse caso específico confirmou-se que há indivíduos que
mesmo abandonando sua vocação heroica podem ser protagonistas de atitudes de
herói. E o herói calou minha boca por alguns segundos. O herói foi responsável
pela alegria de tantos. O herói confirmou que quando há vontade tudo pode
acontecer. Lembrei-me do herói de cara fechada há uma semana e encontrei no
rosto dele o sorriso que faltou em uma foto. Se herói de agora em diante ou
vilão e herói constantemente não sabemos, mas como parece tão simples naquele
momento de mítica, a paz e a harmonia entre campo e arquibancadas. Tão simples
o recado que enviamos quando este é ouvido. Tão simples quando o que pedimos é
atendido. Tão simples quando o respeito é mútuo.
Nosso
técnico, inventor de algumas gastrites para a Massa, chegou a observar que
havia faltado um canto que não deve fazer falta e a justiça com milhões de
corações enlouquecidos de amor foi feita.
Foi
ao chão o pouco caso com nossa história, ao chão também a falta de respeito com
o que somos e representamos na história. Não acredito que nos darão uma trégua,
são injustos demais com o Glorioso para que o façam, mas hoje a vontade
prevaleceu sobre a pedância, despertou um herói adormecido, calou a voz de
tantos cruéis e amplificou o canto de amor e lealdade extrema.
Que
a vontade não nos falte, que a técnica reapareça e que venham os próximos
invencíveis! O que temos é respeito e este tem o poder de destruir barreiras!
Saudações
Alvinegras!
Leide
Botelho 28/05/2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário