domingo, 10 de junho de 2012

A vontade que cala e desperta 28/05/2012


Começo a coluna dessa semana falando do quanto à vontade faz a diferença. É através da vontade que o ser humano toma frente de alguma coisa, diante de algo desejado ou que rejeite. Para filósofos como Santo Agostinho liberdade e vontade é uma coisa só e através delas nos tornamos dignos de elogios ou dignos de repressão.
Diante das limitações técnicas do nosso time, viemos repetindo o quanto é importante que os nossos jogadores demonstrem em campo, gana, raça, vontade. Percebemos nos últimos jogos que esses fatores realmente podem nos tirar de um imposto anonimato e nos devolver ao topo. Os coadjuvantes resolveram não o ser mais.
O domingo começou para a Nação Alvinegra como tantos outros domingos onde o roteiro do dia é óbvio; hoje tem jogo do Galo!
Da maturidade que insisto em pontuar, os pés firmes no chão só pediam aos céus que não fosse muito difícil, porque o difícil já é adjetivo para Massa.
Programas esportivos do dia resolveram mostrar o retrocesso do confronto sem vangloriar nossos heróis, colocando em destaque nosso carrasco. O coração que amanhece em dias de jogo batendo em ritmo acelerado, começava seu exercício mais exaustivo.
Enxerguei a vontade que tantas vezes faltou, lances que desmereciam a vontade na falta de técnica, procurei outras coisas que não conseguia enxergar, mas me mantinha calma porque o muito difícil não tinha vindo o céu havia atendido minha prece.
Era possível sim, se era possível, somos acostumados a provar do ceticismo à fé absoluta, o que parece contraditório, mas perdoável diante das intempéries enfrentadas constantemente pelos devotos do Glorioso das Alterosas.
A ansiedade que já é comum a essa rotina de devoção aumentou por ter que acompanhar pela TV. Ouvir os gritos e pensar que meu grito que não estava lá poderia ajudar todo canto a ser mais alto, foi torturante. Me contive esperando o tempo passar e quanto mais os minutos passavam a fé ia vencendo o ceticismo e eu conseguia acreditar um pouco mais no que antes parecia pouco provável.
Procurei entender sem sucesso o motivo de ver um ou outro como titular, mas esqueci de que há em tudo um motivo e pra tudo há uma resposta. A resposta veio fazendo do meu vilão um herói, nesse caso específico confirmou-se que há indivíduos que mesmo abandonando sua vocação heroica podem ser protagonistas de atitudes de herói. E o herói calou minha boca por alguns segundos. O herói foi responsável pela alegria de tantos. O herói confirmou que quando há vontade tudo pode acontecer. Lembrei-me do herói de cara fechada há uma semana e encontrei no rosto dele o sorriso que faltou em uma foto. Se herói de agora em diante ou vilão e herói constantemente não sabemos, mas como parece tão simples naquele momento de mítica, a paz e a harmonia entre campo e arquibancadas. Tão simples o recado que enviamos quando este é ouvido. Tão simples quando o que pedimos é atendido. Tão simples quando o respeito é mútuo.
Nosso técnico, inventor de algumas gastrites para a Massa, chegou a observar que havia faltado um canto que não deve fazer falta e a justiça com milhões de corações enlouquecidos de amor foi feita.
Foi ao chão o pouco caso com nossa história, ao chão também a falta de respeito com o que somos e representamos na história. Não acredito que nos darão uma trégua, são injustos demais com o Glorioso para que o façam, mas hoje a vontade prevaleceu sobre a pedância, despertou um herói adormecido, calou a voz de tantos cruéis e amplificou o canto de amor e lealdade extrema.
Que a vontade não nos falte, que a técnica reapareça e que venham os próximos invencíveis! O que temos é respeito e este tem o poder de destruir barreiras!

Saudações Alvinegras!

Leide Botelho 28/05/2012



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