terça-feira, 23 de outubro de 2012

Meus olhos voltados para o céu e o coração no gramado - 10/09


Poderia começar escrevendo em represália aos que não sofrem com sabedoria as demoras do amor e do tempo, aqueles que diante dos empates e derrotas, se tomam de uma empáfia e saem por aí ecoando aos quatro cantos do mundo sua falta de fé.Não vou dedicar a eles mais linhas, espero que o sentimento que a grande maioria compartilha, seja deles também como que num processo constante de cura do medo de sofrer.
Do todo que a vida ensina, aprendi nas muitas lutas pessoais, que o bonito da vida, é o real, ali cru, sem maquiagem. Que o tesouro verdadeiro está no simples, no diário, no humano. Quando falamos do humano, falamos de algo que vem de Deus, mas que se distancia Dele pra ser abaixo Dele e não Ele, porque Ele só Ele. Pra mim é extremamente natural, é humano que hajam quedas no caminho antes do ápice que almejamos, isso é real, não fugiremos disso e nem há como evitar.
No domingo de bênçãos, porque muitas bençãos se derramam em dia de jogo do Galo, histórias se cruzaram, vindas de cantos diferentes de Minas.Pessoas que a paixão uniu, aproximou e fez família, sorrisos, conselhos e verdade, a verdade que faz da vida mais leve, sem interesses e com o mesmo foco, nos levou à mais uma vitória.
Poderia eu também, pontuar as falhas do time, falar do que não foi legal, mas não, de maneira alguma vou permitir que o amargo me tome. Quero falar das pessoas que viajam pra ver o Galo, daqueles que jamais abandonam o time, daqueles que gritam com paixão verdadeira e não de momento, dos que fazem sacrifícios pra simplesmente respirar na esfera do atleticanismo.
Cada gol é um presente, é um troféu, é reconhecimento de cada esforço pelo Glorioso das Alterosas, invencível não pelas vitórias que conquista, mas pela multidão que arrasta. Revejo de maneira incansável o jogo, os gols, me encanta me enlouquece, porque numa simples cabeçada, tão comum no futebol, temos um zagueiro artilheiro. Porque não temos o camisa 1, mas temos uma muralha que veste a camisa 83 e já é a cara de um povo e essa muralha faz gol, ou meio gol. Porque temos um maestro e um Davi que vem derrubando Golias e mais Golias.
Minhas lágrimas a cada gol e minha comemoração contida é reflexo da minha gratidão, da minha humanidade, assim como a verdadeira Massa Atleticana, não me envergonho delas, são traços do tempo, das lutas e dificuldades, das cicatrizes na alma alvinegra cansada, mas jamais entregue ao desânimo e nem conformada com maldições. Acredito no reinventar diário, acredito nas páginas em branco que o Criador nos concede para a cada dia escrevermos nossa história, meu Galo, nosso Galo vem fazendo uso dessas páginas de maneira incrível há mais de um século, há capítulos ruins, mas há muito mais beleza do que muitas vezes nos permitimos ver. Quero ser sempre Atleticana, assim como foram os vinte e dois estudantes que em 25 de março de 1908 se reuniram no Parque Municipal e acreditaram que podiam elevar o nome de Minas com a criação do Clube Atlético Mineiro, quero ser Atleticana como D. Leni, como Belmiro, daqueles que não se abatem que sempre acreditam que agregam vida e verdade ao que constitui a Nação Alvinegra e que eternizam e imortalizam o nosso preto e branco. Já começou a vencer aquele que levantou da queda para lutar!
Meu coração está ali no gramado, parece ter sido gestado e nascido em Lourdes, mas meus olhos, estes vão estar sempre voltados para o céu em um agradecimento infinito por ser Atleticana e minhas preces assim como minhas lágrimas, jamais irão parar, porque a prece repele o mal que nos desejam e eu prefiro acreditar no bem!

Saudações Alvinegras,
Leide Botelho 10/09/2012

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