Deixa
partir aquilo que não faz bem, deixa ir embora aquilo que faz mal, que aprisiona
e coloca correntes não te deixando sonhar. Começo a coluna dessa semana certa
de que a melancolia, o medo e a dúvida em nada irão nos ajudar agora.
O
meu sonho nunca esteve tão próximo a mim. O meu sonho é o mesmo de tantos. Estaríamos
como São Paulo Apóstolo em seu caminho até Roma? O apóstolo após uma terrível
tempestade, após ter seu braço enrolado pela serpente, se desesperou por achar
que a ilha aonde se encontrava estava muito afastada de seu lugar de destino. O
desespero não o fez saber que a ilha estava próxima ao lugar que almejava
chegar.
Estamos
vivendo esse momento na ilha. Medo, dúvida, fazem parte do contexto, da
caminhada, do percurso até a vitória que significará tudo, por outro lado esses
ingredientes em dose exagerada podem nos entorpecer e nos impedir de ver
realmente o quão perto estamos.
É
fato que o rendimento do Glorioso no segundo turno da competição nacional, anda
distante do show do primeiro, nossa ânsia nos faz mais exigentes do que em
outros tempos, mais impacientes, mas em momento algum isso pode nos tornar
descrentes.
Apesar
do empate, a La Galonera, recebeu nesse domingo um grande jogo, dois grandes
times em campo. Não empatamos com um qualquer, não foi com um time insosso,
assistimos a um jogaço com AÇO.
O
clima do início ao fim do jogo era de final de campeonato. Apesar das muitas
chances perdidas pelo Galo, apesar do meu coração ter batido no travessão junto
com a bola no chute do Carlos César, dos meus olhos terem empurrado como mãos a
bola do Marcelo Moreno, a grande Massa, a grande Nação não se calou. Cantou,
brigou, cobrou.
Destoando
do show das arquibancadas, uma arbitragem medíocre, mal intencionada tentou a
profanação. Mas nem o show de horrores promovido pelos homens de camisa
amarela, conseguiu impedir a bola de se render ao Maestro. Ele não marcou como
gostaríamos, mas a bola definitivamente parece se curvar diante dele, implorar
para que ele a ajeite, a passe para os outros.
Ao
chegar em casa e conferir as atualizações das redes sociais, vi uma imagem de
um torcedor exibindo com orgulho o escudo do Galo e uma frase me chamou de
volta ao sonho, “como pode uma estrela brilhar muito mais que cinco?”.
Faço
parte dessa Nação, que tal como o sol brilha por ser quem é sem a necessidade
de holofotes ou ouro pra irradiar tanta luz. Tenho um DNA que não se entrega
que não recua e nem se abate. Não posso deixar de crer no que busco há tantos
anos. Não vou guardar meu sonho para o próximo ano. Enquanto a guerra não
findar, vou ficar acreditar e lutar. Meu choro só vai brotar se for de alegria,
minhas preces vão continuar seguindo para o céu, meu canto não vai parar, vai
ser mantra, oração e devoção.
Sou
atleticana e não desisto nunca!
Saudações
Alvinegras!
Leide
Botelho
24/09/2012
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