sábado, 16 de março de 2013

É tropeçando que se aprende


Reencontros são sempre cheios de surpresas, são ansiados, desejados. É como se o coração ficasse como um carro na reserva do combustível, precisando urgentemente se abastecer pra seguir. Não haveria como ser diferente após dois meses de saudade.
Acredito que cada atleticano sonhou acordado ou não com cada detalhe desse reencontro. O nosso sonhar não obriga o fato à sua realização tal qual imaginada.
A semana de clássico é sempre uma semana de coração batendo mais forte e para acentuar todos os sentimentos ainda teríamos a reabertura do Gigante da Pampulha.
Proibições, desrespeito ao torcedor, pouco caso com quem movimenta as cifras do esporte que é paixão nacional, marcaram a semana. Um estádio padrão FIFA, construído com estilo europeu. Longe das grandes lembranças do segundo maior estádio do país durante tanto tempo.  Enquanto lia matérias e entrevistas com gestores e políticos sobre a reabertura, tentava imaginar se sobraria algo do que vivemos ali em tantos momentos.
Na madrugada de domingo estive insone como tantos amigos, ansiedade, saudade, curiosidade. Como pode ser saudável essa rivalidade, se consciente, se curtida tal como deve ser por ser algo que dá prazer e alegria, mesmo restando no Gigante da Pampulha pouco do antigo. A festa do povo se enchendo de frescura, querendo transformar o brasileiro em projeto de povo europeu que não seremos jamais porque o calor de uma raça, a alegria que casa com a esperança constante em dias melhores é nossa maior virtude.
Indo pro Minera sem saber como nos permitiriam viver esse reencontro, meu Manto sobre o peito, coração batendo forte, rever a família alvinegra e torcer além de um bom resultado para Nosso Glorioso, torcer ainda pela responsabilidade, sensatez e paz entre as torcidas.
Imagem de cartão postal, se estática. No entanto a nós que desfilamos da esplanada aos nossos lugares, novo descaso.  Pensei como receber em nossa casa quem quer que seja sem arrumar a casa pra isso?  Bares fechados, falta de água e refrigerante, banheiros sem papel higiênico, toalha e sabonete, muita água pelo chão, acabamento mal feito nos rodapés e muita sujeira. Lembrei dos impostos que pagamos da polêmica sobre a necessidade de uma CPI sobre a construção do estádio que era do estado e hoje só conseguimos afirmar que é de qualquer pessoa menos do povo. Lembrei dos valores dos ingressos. Percebi que é melhor jogar no Independência e assistir jogo na arena do Galo. Restou-nos aguardar um espetáculo em campo e nas arquibancadas.
Nas arquibancadas show das torcidas, o grito, o canto. Em campo menos do que toda a grande Nação Atleticana esperava. O nosso time vice-campeão brasileiro, pareceu em muitos momentos nunca ter jogado junto. Parecia tudo, menos um jogo oficial. No primeiro tempo pudemos ver uma apresentação melhor, no segundo apatia, falta de gana, muitos erros, erros antigos, coisas que deveriam estar corrigidas.
Resultado amargo para um clássico, justo pelo futebol apresentado, necessário talvez, para que enfrentemos melhor nossas limitações e nos situemos à realidade do futebol, de que nem sempre se ganha e nem sempre se merece a vitória. Ontem não merecemos os três pontos.
O ano será de muitas competições e que nosso tropeço diante do rival da capital nos deixe algumas lições. Que através dessas lições, comissão técnica, jogadores e diretoria, se ajustem para jogos ainda mais importantes.
No mais que cessem as lamentações, pra frente é que se anda, tropeçando é que se aprende. Temos a volta de um ídolo ou para os que contestarem esse adjetivo dado ao Dom Diego, a volta de um jogador que deu alegrias à Massa e adotou essa paixão pelo maior de Minas.
Foi o primeiro jogo do ano,  nós dotados da maior fidelidade que presencio ao longo dos meus quase 35 anos estaremos sempre apoiando, acreditando e nos doando em amor. Com a serenidade de não nos julgar acima do bem e do mal, com a humildade de reconhecer as dificuldades e com a esperança de que o ano será muito melhor.
Com o Galo e pelo Galo sempre, seja como for!
Saudações alvinegras!
Leide Botelho 04/02/2013







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