Reencontros são sempre cheios de
surpresas, são ansiados, desejados. É como se o coração ficasse como um carro
na reserva do combustível, precisando urgentemente se abastecer pra seguir. Não
haveria como ser diferente após dois meses de saudade.
Acredito que cada atleticano
sonhou acordado ou não com cada detalhe desse reencontro. O nosso sonhar não
obriga o fato à sua realização tal qual imaginada.
A semana de clássico é sempre uma
semana de coração batendo mais forte e para acentuar todos os sentimentos ainda
teríamos a reabertura do Gigante da Pampulha.
Proibições, desrespeito ao
torcedor, pouco caso com quem movimenta as cifras do esporte que é paixão
nacional, marcaram a semana. Um estádio padrão FIFA, construído com estilo
europeu. Longe das grandes lembranças do segundo maior estádio do país durante
tanto tempo. Enquanto lia matérias e
entrevistas com gestores e políticos sobre a reabertura, tentava imaginar se
sobraria algo do que vivemos ali em tantos momentos.
Na
madrugada de domingo estive insone como tantos amigos, ansiedade, saudade,
curiosidade. Como pode ser saudável essa rivalidade, se consciente, se curtida
tal como deve ser por ser algo que dá prazer e alegria, mesmo restando no
Gigante da Pampulha pouco do antigo. A festa do povo se enchendo de frescura,
querendo transformar o brasileiro em projeto de povo europeu que não seremos
jamais porque o calor de uma raça, a alegria
que casa com a esperança constante em dias melhores é nossa maior virtude.
Indo
pro Minera sem saber como nos permitiriam viver esse reencontro, meu Manto
sobre o peito, coração batendo forte, rever a família alvinegra e torcer além
de um bom resultado para Nosso Glorioso, torcer ainda pela responsabilidade,
sensatez e paz entre as torcidas.
Imagem
de cartão postal, se estática. No entanto a nós que desfilamos da esplanada aos
nossos lugares, novo descaso. Pensei
como receber em nossa casa quem quer que seja sem arrumar a casa pra isso? Bares fechados, falta de água e refrigerante,
banheiros sem papel higiênico, toalha e sabonete, muita água pelo chão,
acabamento mal feito nos rodapés e muita sujeira. Lembrei dos impostos que pagamos
da polêmica sobre a necessidade de uma CPI sobre a construção do estádio que
era do estado e hoje só conseguimos afirmar que é de qualquer pessoa menos do
povo. Lembrei dos valores dos ingressos. Percebi que é melhor jogar no
Independência e assistir jogo na arena do Galo. Restou-nos aguardar um
espetáculo em campo e nas arquibancadas.
Nas
arquibancadas show das torcidas, o grito, o canto. Em campo menos do que toda a
grande Nação Atleticana esperava. O nosso time vice-campeão brasileiro, pareceu
em muitos momentos nunca ter jogado junto. Parecia tudo, menos um jogo oficial.
No primeiro tempo pudemos ver uma apresentação melhor, no segundo apatia, falta
de gana, muitos erros, erros antigos, coisas que deveriam estar corrigidas.
Resultado
amargo para um clássico, justo pelo futebol apresentado, necessário talvez,
para que enfrentemos melhor nossas limitações e nos situemos à realidade do
futebol, de que nem sempre se ganha e nem sempre se merece a vitória. Ontem não
merecemos os três pontos.
O ano
será de muitas competições e que nosso tropeço diante do rival da capital nos
deixe algumas lições. Que através dessas lições, comissão técnica, jogadores e
diretoria, se ajustem para jogos ainda mais importantes.
No
mais que cessem as lamentações, pra frente é que se anda, tropeçando é que se
aprende. Temos a volta de um ídolo ou para os que contestarem esse adjetivo
dado ao Dom Diego, a volta de um jogador que deu alegrias à Massa e adotou essa
paixão pelo maior de Minas.
Foi o
primeiro jogo do ano, nós dotados da
maior fidelidade que presencio ao longo dos meus quase 35 anos estaremos sempre
apoiando, acreditando e nos doando em amor. Com a serenidade de não nos julgar
acima do bem e do mal, com a humildade de reconhecer as dificuldades e com a
esperança de que o ano será muito melhor.
Com o
Galo e pelo Galo sempre, seja como for!
Saudações
alvinegras!
Leide
Botelho 04/02/2013
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